O Abade do mundo
Abade Correia da Serra, um homem maior que o limite
Teve cama e roupa lavada em Monticello. Era visita assídua no casarão de Thomas Jefferson, de quem foi amigo próximo. Admirado pela crème de la crème, José Francisco Correia da Serra foi para Jefferson “o homem mais sábio que já encontrei em qualquer país”.
Nascido em Serpa, região do Alentejo, cedo zarpou para a Europa. A mais iluminada da época: Itália, França e Inglaterra. Percorreu os séculos XVIII e XIX, colhendo admiração dos melhores do seu tempo. Tanto que muitos deles o achavam melhor ainda.
Foi um estrangeirado. Chegado jovem a Itália, bebeu do iluminismo pela influência de Luís António Verney. Viveu em Paris, durante as Invasões Francesas a Portugal. Aí, ganhou admiração do Marquês de La Fayette e de André Thouin, este também amigo de Thomas Jefferson. Ambos o recomendaram aos notáveis norte-americanos.
Desde Roma, onde se tornou sacerdote, a Portugal, foi próximo do Duque de Lafões. Juntos, fundaram a Real Academia das Ciências de Lisboa. Foi por sua iniciativa que José Bonifácio e Manuel Ferreira da Câmara foram estudar na Europa, com bolsas de estudo. Esses depois fariam a independência do Brasil.
Com a chegada do século XIX, seria nomeado secretário da representação diplomática portuguesa em Londres. Depois em Paris. E, apesar do cosmopolitismo, amou a natureza e interessou-se a fundo pela botânica. Por isso foi membro da Royal Society e da Linnean Society. Sobre ele, o barão Alexander von Humboldt, naturalista alemão que inspirou Darwin, não pouparia nas palavras. O Abade Correia da Serra era, à época, “um dos maiores botânicos do século”.
Depois de trocar correspondência com meio mundo, morreu já deputado às Cortes, nas Caldas da Rainha, em meio a tratamentos no Hospital Termal. Hoje é lembrado por poucos, apesar de andar por muitos cantos do campo australiano, homenageado em forma de planta.
A planta Correa.


